A Mulher de Bath é um dos personagens da obra “Contos da Cantuária”, de Geoffrey Chaucer, uma das figuras basilares da literatura ocidental, precursora de Shakespeare e do indivíduo moderno. Os “Contos da Cantuária”, escritos em 1380 e publicados pela primeira vez em 1475, faz parte das obras fundadoras da literatura inglesa. Assim como Dante, Cervantes e Camões, os contos de Chaucer ajudaram a sedimentar a língua, a poesia, a ficção e a oratória de todo um país. “Chaucer teve a audácia e a graça de colocar essa história, que nós transformamos em teatro, na boca de uma mulher, uma viúva libertária. Uma mulher que ama a vida, a alegria, o riso, o sexo, os homens, a diversão. A mulher de Bath é profundamente religiosa e tudo o que faz justifica pela Bíblia. Nela, o sagrado e o profano convivem perfeitamente. Isso resulta divertido e cômico.”, afirma Maitê.
A premiada tradução de José Francisco Botelho busca inspiração na poesia popular brasileira, do repente nordestino à trova gaúcha. Seus versos, que recriam os de Chaucer, são referência e objeto de estudo internacional, apostando em um sonho épico: a universalização da cultura brasileira. “Mas a nossa montagem é pé no chão, sem salto alto, sem pompa. Fizemos questão que este texto primoroso se tornasse compreensível para todo tipo de espectador”, diz Maitê. “A Mulher de Bath parece uma mulher de agora, uma dessas neofeministas do movimento que ressurge, só que mais falante, mais bem articulada, inteligente e desbocada. E eu imaginava que as mulheres dessa época ficassem em casa rezando pelo marido que morreu. Esta já enterrou cinco e quer mais um”, completa a atriz.